Nov
15

por Lobão

“Quem é você
Quem é você
Nas minhas mãos
Nas minhas mãos vazias
Você assim tão impossível
Em vão
E o impossível
É uma droga poderosa pra nós,
Reféns do que virá

Quem é você
Quem é você
Embalsamando ameaças
Numa fileira de santos
Que nenhuma beleza ilumina

E o impossível é uma droga perigosa o bastante
Para se inventar a fé
Para se acreditar na fé
Em alguma salvação
E eu deslizo
Pro fundo de um quarto escuro
Já não sei mais onde estou
Pra mim o mundo é só mais um quarto escuro
E a devastação da vida
Um cobertor

Talvez algumas lágrimas
Nos tornem um pouco mais inchados e vazios
É rapa…
Não há estilo sem fracasso

Talvez alguns sorrisos nos deixem um pouco mais silvio santos das nossas
[torturas
Pois a salvação floresce feliz como um escárnio

Lá onde os deuses não morrem nunca
Mas são recauchutados debaixo de nossas almas
Numa salvação que só interessa aos assassinos e aos santos
Numa salvacão triste como qualquer céu
Como num domingo
Como num suicídio
Como num êxtase
Que se desaprende
Eu
Deslizo pro fundo de um quarto escuro
Já não sei mais onde estou
Pra mim o mundo é só mais um quarto escuro
E a devastação da vida
Um cobertor
Deslizo pro fundo de um quarto escuro
Já não sei mais onde estou
Pra mim o mundo é só mais um quarto escuro

E a devastação da vida
Uma declaração de amor…”

Só damos atenção a algumas músicas depois que estas nos fazem sentido. Já a tinha em minha coleção há um bom tempo, mas só agora que criamos um forte laço – culpa dessa tal devastação da vida.

Nov
13

Não vê? Vai chover
Se ficar assim,
Na dor, teu prazer
Caindo só de mim

E querendo ser
Nessa hora o fim.
E doente de ter
A ilusão do sim

Como um só querer,
Razão pra viver,
De um gosto doce

De quem está a fim.
E acabar assim,
Se realmente fosse…

Nov
09

Não tomaria a iniciativa de boicotar o ENADE, sem antes entender do que se tratava realmente. Já adianto aqui que a prova e todos os poréns em torno dela foram muito bem debatidos dentro da PUC-SP, e, por isso, optei por me alinhar à posição de boicotar a prova, defendida pelo movimento estudantil. Mas há alguns outros pontos que eu, pelo menos, gostaria deixar citados aqui.

  • Se a prova tem como objetivo avaliar o desempenho dos estudantes de nível superior, por que as duas principais Universidades do país – USP e Unicamp – decidem já no começo do ano por boicotá-la? Deveria ser prioridade de uma avaliação que pretende ser séria preocupar-se com isso e adequar-se, não às especificidades destas duas instituições, mas sim ao nível intelectual do debate e do conhecimento exigido e produzido nelas.
  • De fato as questões eram ruins. O foco era essencialmente tecnicista – para não dizer burro -, como em uma das perguntas específicas em que se queria saber “qual o nome da reunião feita, num jornal antes dos repórteres irem à rua, entre um editor e seus subordinados?”. Isto não avalia desempenho ou qualidade do curso de ninguém. Mesmo uma abordagem conteudística seria mais interessante. A propósito – foi até já a público -, em outra questão – mal formulada por sinal – o nome de nosso presidente da República – Luiz Inácio Lula da Silva – aparecia grafado de maneira errada – Luís Inácio Lula da Silva.
  • Visto que a relização do ENADE é obrigatória e que muitos estudantes acabam prejudicados pelas próprias Universidades, as quais exigem dos estudantes a facção dele e não permitem que estes retirem o diploma em caso negativo, como não há uma rede de transporte público suficientemente preparada para um evento de escala nacional? Além de boa parte dos locais de realização do exame serem um tanto quanto de difícil acesso, o sistema de ônibus da SPTrans deixou estudantes na mão. Posso relatar meu caso pessoal no qual estava prevista para 11h25 a saída do ônibus que eu tomaria até o local da prova, mas que foi só chegar ao Term. Barra Funda – de onde sairia – lá para perto das 12h20; tive sorte e consegui chegar à tempo, porém umas outras estudantes que estavam no mesmo transporte e que iriam para um local ainda mais à frente não conseguiram.
  • Não deveriam estar listadas no exame as capacidades e habilidades esperadas por um estudante de tal curso? Como estudante de jornalismo, parece-me que os critérios nivelavam eu e meus colegas por ignorante. Das perguntas específicas feitas, qualquer estudante, de qualquer área, seria facilmente capaz de respondê-las. Isso sem contar as questões dissertativas que não tinham o mínimo de abordagem crítica ou reflexiva à área de atuação dos iniciantes ou concluintes – falo a respeito da prova de Jornalismo. Afinal, qual o objetivo de fomar, educar, cidadãos que não poderão entender ou pensar sobre os paradigmas de seus próprios exercícios profissionais? Assim não está claro qual o projeto de nação nos é pretendido – se é que há um.
  • Na cartilha que foi distribuída a mim e aos estudantes de meu curso, aparecia citado o nome de Cristovam Buarque (PDT-DF), atual senador da república e um dos primeiros ministros da educação do governo Lula, quando permaneceu durante apenas 1 ano no cargo. Sempre tive uma boa visão dele e ele sempre foi um grande defensor das políticas de educação como forma do país progredir, fica aqui a dúvida de se o Senador concordou e ainda concorda com os critéiros de aplicação do ENADE.

Estou deixando de lado muito outros pontos, que já foram, no entanto, abordados na cartilha sobre o ENADE elababorada pelo movimento estudantil. Só termino confirmando que, contra todo esse sistema de mil uma falhas, estou certo, certo mesmo, de que os elefantes foram muito bem usados na prova de ontem. Espero apenas que consigam de fato incomodar.

Nov
08

ENADE09

Nov
06

De uns tempos para cá tenho sido interpelado por comentários um tanto quanto intrigantes dirigidos nos bastidores à minha pessoa. São, na verdade, um tanto quanto ofensivos – para não dizer banais. A carga de destrutividade é tão grosseira que faz até mesmo parecer brilhante a grotesca metáfora “Nassifu”, de Reinaldo Azevedo – coisa que tornam estes comentários ainda mais dificilmente atingíveis, visto que, não importando a força, um golpe de marreta é sempre escandaloso demais para não ser indesviável. Ora, o golpe perfeito é uma obra de arte, uma fina ironia capaz de trincar o mais frio dos corações. Difícil é entender os porquês dessa brutalidade.

Quando desiludidos das próprias faculdades, poucos são os homens fundamentados num compromisso ético – vindo através de uma formação preocupada com o fim humano – para se fazerem valer de habilidades racionais e virtudes no lugar de impulsos destrutivos e vícios. Ao se sentirem incapazes e então presos às próprias condições animalescas, estes homens não conseguem forças para saltarem em busca das emancipações pessoal ou coletiva. Reificados mas ainda não satisfeitos, doentiamente se entregam ao primeiro que lhes vem com promessas convenientes, cômodas, e que mais lhes afastam de confrontarem a si mesmos. Aderem ao ódio, à repulsa a seus companheiros. E, embrigados, avançam em direção a um projeto imperialesco.

Nessa loucura, corajosos são os críticos, pois não se entregam, e, mesmo exilados, lutam em busca de utopias tanto pessoais quanto humanas. Eles falam de flores e poesia, ainda que recebam as mais absurdas críticas por isso. Embora perseguidos, lutam. Quando não fazem isto, recolhem-se à reflexão, à própria defesa, à procura de encontrar algum lugar, alguma forma, de estar em paz, por uma causa, por um projeto melhor e maior – coletivo. Para eles, os críticos, combater a tal loucura é tentar vencê-la nos mínimos momentos, porque, afinal, é quando esta mais se manifesta – quando a consciência, a reflexão sobre o agir, não poucas vezes, desaparece.

O brutal, então, manifesta-se nos menores detalhes, no ímpeto ansioso de agir em defesa de interesses exclusivos através de uma provocação infantil para inflamar a violência ou mesmo por meio de um comentário grotesco e inoportuno. Pergunto-me, no entanto, de onde e por quais motivos vêm estas vulgares marretadas. Qual seria a real motivação? Visto o contexto em que aconteceram, fica a dúvida sobre quais princípios norteiam o sujeito que está contra mim, se não há uma outra razão de viver que não seja acomodar-se, esconder-se por trás até de máscaras invisíveis, e se importar com algo tão pequeno e insignificante quanto os demonstra.

Out
23

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A charge é de autoria de Dedo Zuka, atualmente estudante da PUC-SP e quadrinista já há algum tempo. Entre seus diversos trabalhos, destacam-se como mais conhecidos os da série Fim Del Neto e Nassifu. São obras de um humor ímpar – ácido e engajado polticamente – e de muito bom gosto.

Este aqui é um dos que achei mais interessantes.

Out
20

epic-mickey

O conto de fadas acabou. Nada mais está como antes: o colorido apagou; princípe encantado nenhum virá salvar; ninguém viverá feliz para sempre. Parece mesmo que nada, nada, vai dar certo no final. Alguém sabe o que aconteceu com o Pateta? A Minnie? O Donald? Onde estão todos eles? Ninguém mais ri por aqui. Está tudo cada vez mais… mais… mais cinza.

Não bastasse isso. Dia a dia o medo cresce. Não há quem pense numa alternativa, o que querem é se esconder – se esconder, de medo. Tantos tempos de glória, tantos fãs, tantos amigos, tantas risadas terminarão assim, então. Alguém precisa fazer alguma coisa! Pois serei eu. Mais uma vez. Se foi mesmo o Osvaldo o responsável por tudo isso, dessa vez ele foi longe demais!

Eu sou o protagonista, o principal. Este é o meu mundo e esta é a minha história – a de mais ninguém! Vou devolver a cada conto o que lhes foi tirado. Se for preciso, desenharei tudo de novo, das minhas próprias mãos. No mundo de Walt Disney, eu, Mickey Mouse, sou o verdadeiro herói da história.

epic_mickey

E é tudo verdade. Nesta narrativa, no melhor estilo Steampunk, o game Epic Mickey tomou um caminho que muitos não acreditariam ser possível. Toda a fantasia e a iluminação do universo Disney foram tomadas por uma conspiração sombria arquitetada pelo antigo personagem Osvaldo, que quer vingança. Controlando um Mickey heróico, o objetivo do jogador é desfazer todo o pesadelo, atravessando cenários macabros e surreias – usando para isso apenas pincel, lápis e borracha…

O lançamento do game está previsto para 2010 e, por enquanto, só foi confirmado para o Nintendo Wii, já que os movimentos do jogo exigiram controle através do Wii Mote. Por ora, nos resta ansiosamente esperar por essa nova aparência, por todo esse charme de decadência.

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[O Museu está há muito parado e não pode continuar assim. Como me falta mais tempo do que inspiração para manter aqui atualizado, vou fazer uso de outros textos meus - publicados para outros fins e em outros blogs -, a fim de reverter essa situação. O texto acima foi escrito ao PUCf5 e contou com a ajuda de meu amigo Pedro Moutropoulos. Por ora é suficiente, mas, em breve, pretendo retomar as atividades rotineiras por aqui.]